Autentico não necessariamente verdadeiro
Do ponto de vista da diplomática, a autenticidade se refere a não alteração do documento após sua produção, mesmo que o conteúdo não seja verdadeiro.
Os documentos falsos originais designados por pseudo-originais (aparentam possuir, ainda que por ficção, todas as marcas de validações próprias de um verdadeiro, obtidos a partir de pressupostos não verdadeiros, posto que tenham sido expedidos das chancelarias em forma material autêntica) e, ainda, os atos suspeitos ou duvidosos (a sua falsidade diplomática não é comprovada).
Duranti (1996) faz, igualmente, a distinção entre documento autêntico e genuíno e entre os conceitos de inautêntico e de falso.
Um documento é autêntico quando apresenta todos os elementos estipulados para provê-lo de autenticidade.
Um documento é genuíno quando é verdadeiramente o que pretende ser.
Contudo, esta distinção não é válida no sentido histórico, pois, enquanto que o direito e a diplomática avaliam separadamente as formas do documento e os seus autores, de maneira que podemos ter um documento autêntico que não é genuíno e vice-versa, a história, por sua vez, avalia apenas o conteúdo do documento de modo que, do ponto de vista historiográfico, autêntico é sinônimo de genuíno (Duranti, 1996, p. 29-30).
A inautenticidade refere-se à ausência dos requisitos que garantem a autenticidade e a falsidade implica a presença de elementos que não correspondem à realidade. Estes elementos podem não ser verdadeiros intencionalmente ou por negligência ou não verdadeiros por lapso ou casualidade.
O conceito de inautenticidade pode ser utilizado estritamente no sentido legal ou por diplomático e não no sentido histórico, uma vez que a ausência de informação requerida para o conteúdo não pode comprometer a sua autenticidade histórica.
Legal e diplomaticamente, um documento falso, é o mesmo que um documento falsificado, contrafeito e de alguma maneira enganador e historicamente equivale a dizer que os factos descritos no documento não são verdadeiros (Duranti, 1996, p. 30).
A autenticidade de um documento esta ligada a confiabilidade e a competência do órgão que garante a existência de tal documento, como carimbos, assinaturas, marcas d'agua; esses elementos garantem a validade dele, mostrando quem é o autor e que a entidade competente concorda com as informações ali contidas.
Quanto a veracidade, ela esta ligada a qualidade das informações do documento, se aquele documento possui informações verdadeiras.
Vejamos com alguns exemplos que um documento pode ser autêntico, porém não verídico: o documento é feito pelo órgão competente, mas as informações contidas neles, não são verdadeiras.
A veracidade de um documento é atestada quando as informações contidas se referem a fatos verdadeiros, descrevendo fielmente o ocorrido. É possível que exista um documento autêntico, mas não verídico. A Veracidade está ligada a qualidade do conteúdo do documento, se aquele documento possui informações verdadeiras no contexto que ele foi criado. um documento pode ser autêntico, porem não verídico.
A junção da análise diplomática (características intrínsecas e extrínsecas do documento individualmente) com a análise arquivística (de acordo com o seu contexto de criação, em séries) possibilitará a compreensão do verdadeiro “significado” do documento de arquivo.
Para tal, é necessário verificar individualmente nos documentos, características diplomáticas mínimas como espécie, atributos intrínsecos, extrínsecos e o trâmite do documento; e algumas características arquivísticas como o seu contexto de criação, se atendem como prova ou reflexo da missão da instituição e a relação que esse documento.
Os aspectos formais do documento são analisados pela Diplomática, de forma que possa ser avaliado em relação à sua verdadeira natureza. Seu campo normalmente se limita à questão da autenticidade, da contextualização e da estrutura formal. A Tipologia Documental se ocupa de séries documentais, analisando o que se chama de “lógica orgânica dos conjuntos documentais”. (Duranti 1995)
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